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A mostrar mensagens com a etiqueta José Régio

POEMA DA SEMANA (35)

Ícaro A minha Dor, vesti-a de brocado, Fi-la cantar um choro em melopeia, Ergui-lhe um trono de oiro imaculado, Ajoelhei de mãos postas e adorei-a. Por longo tempo, assim fiquei prostrado, Moendo os joelhos sobre lodo e areia. E as multidões desceram do povoado, Que a minha dor cantava de sereia... Depois, ruflaram alto asas de agoiro! Um silêncio gelou em derredor... E eu levantei a face, a tremer todo: Jesus! ruíra em cinza o trono de oiro! E, misérrima e nua, a minha Dor Ajoelhara a meu lado sobre o lodo. José Régio

POEMA DA SEMANA (6)

Sabedoria Desde que tudo me cansa, Comecei eu a viver. Comecei a viver sem esperança... E venha a morte quando Deus quiser. Dantes, ou muito ou pouco, Sempre esperara: Às vezes, tanto, que o meu sonho louco Voava das estrelas à mais rara; Outras, tão pouco, Que ninguém mais com tal se conformara. Hoje, é que nada espero. Para quê, esperar? Sei que já nada é meu senão se o não tiver; Se quero, é só enquanto apenas quero; Só de longe, e secreto, é que inda posso amar. . . E venha a morte quando Deus quiser. Mas, com isto, que têm as estrelas? Continuam brilhando, altas e belas. José Régio